Sebastião Salgado (1944–2025) foi um fotógrafo brasileiro de reconhecimento internacional, considerado um dos maiores nomes da fotografia documental e humanista do mundo. Nascido em Aimorés, no interior de Minas Gerais, formou-se inicialmente em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo e concluiu pós-graduação na França. Durante esse período, passou a se interessar pela fotografia, abandonando a carreira de economista para se dedicar integralmente à arte de documentar a realidade.
Ao longo de décadas, Salgado desenvolveu projetos fotográficos de longa duração, sempre marcados pelo preto e branco intenso, pela composição cuidadosa e por uma profunda preocupação social, política e ambiental. Seu trabalho retratou a dignidade humana diante de situações extremas, como a pobreza, as migrações em massa, o trabalho manual exaustivo e os conflitos sociais. Séries como Outras Américas, Trabalhadores e Êxodos tornaram-se referências mundiais pela força estética e pelo impacto humanitário.
Em uma fase posterior da carreira, Sebastião Salgado voltou seu olhar de forma mais contundente para a natureza e o meio ambiente, especialmente com o projeto Gênesis, no qual documentou paisagens, povos originários e regiões do planeta ainda preservadas. Esse trabalho refletiu também uma transformação pessoal, ligada ao engajamento ambiental que desenvolveu junto à sua esposa, Lélia Wanick Salgado.
Juntos, fundaram o Instituto Terra, uma organização dedicada à recuperação de áreas degradadas da Mata Atlântica no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, transformando antigas fazendas improdutivas em referência mundial de reflorestamento e sustentabilidade.
Sebastião Salgado deixou um legado que ultrapassa a fotografia: sua obra é um testemunho histórico, social e ambiental da humanidade, marcada pela empatia, pela ética e pelo compromisso com um mundo mais justo e equilibrado.


